MEC lança novo boletim técnico sobre segurança nas escolas
Quarta edição do boletim mostra que houve uma redução significativa dos ataques violentos após a criação do Sistema Nacional de Acompanhamento e Combate à Violência nas Escolas (Snave)
O Ministério
da Educação (MEC) lançou, nesta terça-feira, 24 de fevereiro, o 4º
Boletim Técnico Escola que Protege: Dados sobre proteção, prevenção e resposta
às violências nas escolas. O documento atualiza o módulo “Violências
nas Escolas” do Observatório Nacional dos Direitos Humanos (ObservaDH), do
Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDH), e consolida um panorama
mais robusto da violência no contexto escolar no Brasil até o ano de 2025.
O
material está disponível no portal do MEC e conta com novos recortes analíticos
e evidências sobre o impacto das políticas implementadas no âmbito do Sistema
Nacional de Acompanhamento e Combate à Violência nas Escolas (Snave) e do Programa Escola que
Protege (ProEP) do MEC.
Após
a criação do Snave, observou-se uma redução significativa desses ataques em
2024 e 2025, embora ainda demandem uma atenção contínua: 2022 (10); 2023 (15);
2024 (3); e 2025 (3). O documento explicita que, a partir de 2024, o número de
ocorrências passou a representar cerca de um quinto dos registros de 2023.
No
campo da prevenção, 93,5% das escolas relataram desenvolver projetos de
enfrentamento às violências, articulados às Diretrizes Nacionais de Educação em
Direitos Humanos e ao Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos.
A
análise diferencia os ataques intencionais e premeditados — voltados à
destruição da vida e da integridade da comunidade escolar — das violências
cotidianas, como bullying, discriminação e conflitos interpessoais. Entre 2001
e 2025, foram identificados 47 ataques de violência extrema, com 177 vítimas -
56 fatais e 121 feridas. O boletim aponta que a maioria dos autores era do sexo
masculino, frequentemente influenciada por comunidades extremistas on-line.
A
atualização destaca o papel do ecossistema digital na radicalização e no
estímulo à violência, em consonância com o Guia
de Dispositivos Digitais do Governo do Brasil, que aponta riscos
digitais de conteúdo, conduta e contato. O guia traz análises e recomendações
sobre o tema, baseadas em evidências científicas e nas melhores práticas
internacionais, para a construção de um ambiente digital mais saudável.
Além
dos ataques, o boletim analisa a violência nos territórios escolares: 3,6% das
escolas relataram interrupções no calendário letivo em 2023 por episódios
violentos. Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan/SUS)
registraram 14.747 notificações de violência interpessoal em escolas em 2024,
com um crescimento expressivo das violências autoprovocadas. O bullying e o
cyberbullying, tipificados pela Lei nº 14.811/2024, concentram-se nos anos
finais do ensino fundamental e médio.
Outra
novidade deste boletim é o aprofundamento das análises qualitativas e
quantitativas sobre radicalização digital, mostrando que, de 2021 a 2025, houve
um crescimento de 360% nas menções com ameaças a escolas. O número de
comentários de exaltação aos ataques também aumentou de 0,2% em 2021 para 21%
em 2025.
O
boletim incorpora os temas “Subculturas de ódio on-line"; “Circuitos de
masculinidade radicalizada”, além da análise sobre radicalização digital e
ecossistema on-line. A primeira edição do boletim apontava a influência de
comunidades extremistas e a atual traz evidências empíricas atualizadas e uma
análise estruturada do ecossistema digital.
Para
o MEC, os dados do 4º boletim mostram a consolidação do Snave como marco
estruturante para o combate à violência nas escolas. As informações
apresentadas avançaram da etapa de diagnóstico para o monitoramento, a
avaliação e a consolidação institucional. As ações de enfrentamento estão
alinhadas às Diretrizes Nacionais de Educação em Direitos Humanos.
O
documento traz, ainda, o novo conceito operacional de “ataque de violência
extrema” e a inclusão de análise por unidade da federação.
O
boletim conclui que o enfrentamento das violências nas escolas requer uma
abordagem intersetorial, educação para a convivência democrática e formação
continuada de profissionais para mediação de conflitos, escuta qualificada e
atuação preventiva.
Webinários – O MEC realizou, nos
dias 10, 11 e 12 de fevereiro, em parceria com a União Nacional dos Dirigentes
Municipais de Educação (Undime), a série de webinários “Escola que Protege:
planejar, implementar e cuidar”, disponível no canal do YouTube da
pasta e na página
oficial do Escola que Protege. Os encontros buscaram orientar
secretarias de educação e equipes gestoras na adoção de estratégias de
prevenção das violências e de promoção da cultura de paz noambiente escolar.
As discussões
buscaram auxiliar as unidades de ensino na compreensão do programa e os
municípios no planejamento e na implementação do ProEP, com foco na governança
intersetorial; no diagnóstico dos territórios; na elaboração dos Planos
Territoriais Intersetoriais de Enfrentamento das Violências nas Escolas
(Planteves); e na aplicação prática de ações de prevenção. Além das
transmissões, o MEC disponibilizou na página do ProEP uma série de documentos
orientadores para complementar as orientações apresentadas nos encontros.
Fonte: MEC
https://www.gov.br/mec/pt-br/assuntos/noticias/2026/fevereiro/mec-lanca-novo-boletim-tecnico-sobre-seguranca-nas-escolas